sábado, março 12, 2011

A LUTA CONTINUA





Por experiência sei que uma imagem fala mais que mil palavras, e se neste caso são quatro imagens, quatro mil palavras. 
Ditados à parte, dia 12 de Março. 

A comunicação social estigmatizou o que foi a maior manifestação desde o 25 de Abril. Nem os colas partidários , (que alguns gostaram de ver , eu nem por isso) se conseguiram realmente colar ao que foi a voz de uma geração . Felizmente , ainda sou apartidário. E muitos dos que lá estiveram a meu lado, ou não eram, ou passavam bem por isso. Esqueceram-se as cores políticas, os ideais corroídos, e fomos caminhando Avenida abaixo com gritos de ordem e protesto. 

Quem caminhou? 

Geração à Rasca dizem. Duvido. Era suposto ser a manifestação dos "quinhetoseuristas" , recém licenciados, que foi lutar pelo direito futuro laboral mais seguro, com mais condições de trabalho e pelo fim da precariedade e dos recibos verdes; pelo reconhecimento das qualificações de cada um, e que isso se traduza em contratos de trabalho e salários nos quais se consiga realmente descontar qualquer coisa. 
Mentira. Até eu fui , e ando no 11º ano.
Tratou-se de uma revolta em todos os estratos sociais, que por causa dos Senhores da Luta , tendeu um pouco para a esquerda, mas sem extremos.
Eu fui, porque isto está à rasca. Não só porque sou solidário com os que lutam agora por melhores condições de emprego, mas porque a nível estudantil também não anda bem. Mas isso é o menos, porque apesar de tudo ainda existem uns quantos professores que nos dão aulas, e o nosso trabalho continua a ser estudar até cansar para entrarmos na universidade e nos graduarmos. (e começa a entoar-se-me o refrão dos Deolinda) Realmente, que parvos que somos porra, que para se ser escravo é preciso estudar. Os que estudara queixam-se, e então nós que ainda aqui andamos? Estamos à rasca também.
Os meus avós não foram , mas lá vi muito boa gente com idade para serem meus avós. Idosos à rasca pois. Pensões que não dão para a medicação, e para as contas da casa, acredito..
Os meus pais decidiram não ir, não por falta de vontade mas outras coisas meteram-se no caminho.. Mas vi também muitos que passariam por meus pais. Não sei bem que andavam lá a fazer, porque de todos seriam eles os mais desenrascados não? Ao que parece, mais à rasca que nós todos. Podem ter emprego, estável, mas a situação em que o país se encontra não é favorável para ninguém, quanto mais para eles?! Foram roubados à farta com o festim bancário (BPP,BCP,BPN), vão ser esmiuçados até ao tutano pelo Estado, pelas taxas de juro e pelas corporações (Igreja, Maçonaria, e partidos políticos fundados por empresas privadas..).

Cheguei ao fundo da Avenida com uma sensação nova. Uma conformidade que não sentia à muito. Politicamente correcto, diria até que me senti feliz. Gritei, saltei, deitei cá para fora o berro frustrado da minha geração.

No caminho para casa, vem o conhecido "flash back". Tudo o que se passou, uma introspecção geral. 
Ora bem: Somos um país de merda. Socialmente nem por isso, porque se viu os Portugueses (e para bom entendedor..) a gritarem pelo seu país, com esperança de mudança e alegria de viver! Politicamente é que está o caroço. A merda aí se situa. Ora, dizem que vivemos num estado de direito. Nas aulas de história, aprendi que o estado assenta em três pilares, e todos eles têm que funcionar perfeitamente para haver democracia: Justiça eficaz , Leis ponderadas e equilibradas e Politicas justas . Para mim, o Estado perdeu toda a credibilidade e legitimidade. Pode ser que este "novo" PR convoque um conselho de Estado e .. Ah pois, o PR é um banana .. Queiram desculpar. Basicamente, somos uma geração à rasca com um governo rasca mesmo.

O que mais me preocupa disto tudo, é que quem está muito muito mas muito à rasca mesmo, é o sr. Primeiro-Ministro , e o seu próximo sucessor, o líder do PSD, e meu conterrâneo, Pedro Passos Coelho. O primeiro, não se quer molhar mas quer sair de uma ilha, e o segundo, não quer ir para a ilha agora, porque não se quer molhar. (que rica metáfora para um puto de 16 anos) 

Concluindo, eu estive lá, e sou à rasca. Muitos estiveram lá, e não se desenrascam porque não querem, porque há solução para tudo. Só não vejo solução, é nos conselhos da Angela Merkel e no PEC 4.

Obrigado e boa luta!